Alto Palacio x Serra dos Alves
Parque Nacional da Serra do Cipo, MG
3 dias - abril/2019
 Início

Roteiro resumido

As sempre-vivas no caminho para o Travessão

Optamos por realizar a travessia da forma tradicional: em três dias, saindo da portaria Alto Palácio em direção à Serra dos Alves. Aproveitamos os feriados da sexta-feira santa e São Jorge (terça-feira), para agrupar 5 dias a disposição da excursão. O dia de São Jorge foi especialmente útil para esta travessia por ser um feriado apenas no Estado do Rio de Janeiro. Assim, conseguimos aproveitar a travessia nos dias em que os moradores do entorno já haviam deixado o Parque. Nosso roteiro resumido:

  • Dia 19/04: Voo no final da tarde do Rio para Confins e hospedagem em Lagoa Santa.
  • Dia 20/04: Van do hotel para Alto Palácio, onde começamos a travessia. Pernoite na Casa de Tábuas.
  • Dia 21/04: Trecho entre a Casa de Tábuas e Casa dos Currais.
  • Dia 22/04: Casa dos Currais até Serra dos Alves. Van nos trouxe de volta para Lagoa Santa.
  • Dia 23/04: Voo de Lagoa Santa para o Rio pela manhã.

Descrição da Caminhada

Alto Palácio → Casa de Tábuas

Saímos do hotel às 7:15 e partimos para a Portaria Alto Palácio. A viagem levou cerca de uma hora e meia. A portaria fica num trecho isolado da estrada, próximo à estátua do Juquinha. Chegando lá entendi porque nos relatos que eu havia lido sobre a travessia não via a foto da tal estátua. Ela é uma boa referência na estrada, mas não é assim tão próxima da portaria, em especial para quem está ansioso para começar a caminhada. Também não fizemos a foto...

As pinturas rupestres: Um atrativo a mais da Travessia

Na portaria existe uma pequena estrutura com banheiro e água. Um funcionário nos recepcionou e conferiu nossa reserva para a realização do trajeto. Começamos a andar às 9:35, mais tarde do que gostaríamos. Após cerca de 7 Km de percurso, foi necessário fazer uma parada longa. Era 12:20 e o sol do cerrado cobrou seu preço ao grupo. Um integrante não estava se sentindo bem. Foi difícil conseguir um mínimo de sombra para a pessoa repousar. Ao menos, pouco metros dali passava um córrego estreito e de águas bem amareladas que nos supriu durante a parada. Uma hora e dez minutos depois continuamos o trajeto.

Às 14:00 chegamos na lapa onde se encontram as pinturas rupestres. Mais um dos atrativos que fazem essa travessia ser muito interessante. Prosseguimos viagem e alcançamos o Travessão às 14:50. Foi necessário reduzir o ritmo e fazer algumas paradas relativamente longas para continuarmos. Às 17:15 o sol começava a se pôr e ainda faltavam mais de 4 Km de caminhada. Desfrutamos de um belíssimo pôr do sol, mas encaramos o resto da caminhada com lanternas de cabeça. Chegamos no acampamento Casa de Tábuas às 19:45.

Casa de Tábuas → Casa dos Currais

O visual da Serra do Lobo no horizonte

Retomamos a caminhada às 9:15. O grupo estava melhor fisicamente e o calor mais ameno. É um dia sem visuais icônicos, mas ainda assim muito bonito. Minha passagem favorita foi o início da descida após a passagem pelo ponto com maior altitude do percurso. É uma crista onde ao lado esquerdo observa-se ao longe uma bela serra. Pesquisando na volta para casa, descobri se tratar da Serra do Lobo, onde se situam o Pico do Itacolomi e do Itambé. Logo após este trecho, tivemos algumas dificuldades de navegação, conforme descrevi na seção de orientação.

Alcançamos o acampamento Casa dos Currais às 15:15. Apesar da presença de algumas nuvens que, inclusive haviam nos feito colocar a capa de chuva nas mochilas durante a caminhada, chegamos ao destino com sol. Tivemos tempo o suficiente para montar as barracas com calma e aproveitar o banho de rio ao lado do acampamento. Preparamos nosso jantar abrigados dentro da casa. Enquanto preparávamos as refeições recebemos a visita de uma paca, interessada, aparentemente, no latão de lixo do lado de fora da casa. O bicho parecia estar acostumado com a presença das pessoas. Infelizmente, alguns visitantes deixam seu lixo no local, poluindo o Parque e prejudicando a fauna.

Casa dos Currais → Serra dos Alves

A chegada ao Cânion Boca da Serra

Partimos para a caminhada às 8:35. Perdemos 25 minutos andando para a direção errada (veja a seção de orientação. Às 9:00 reiniciamos na trilha correta. Um dia parcialmente nublado, com presença de nuvens baixas, que nos forçaram mais uma vez a colocar a capa de chuva nas mochilas. Desta vez, a chuva veio com mais vontade, alguns quilômetros antes de alcançarmos o Cânion Boca da Serra. Chegamos na margem do cânion às 11:40. Um lugar lindíssimo. A chuva e as nuvens baixas ao invés de atrapalhar, colaboraram criando uma atmosfera ainda mais dramática para a paisagem. Ali bem na margem do cânion existe um morrote que parece fornecer uma vista ainda mais privilegiada da área. Porém com a chuva, não nos animamos a explorar a trilha de acesso, que parecia terminar numa pequena escalaminhada.

A chuva já tinha indo embora quando alcançamos a bifurcação para a Cachoeira da Luci. Eram 12:50. Vinte minutos depois estávamos no poço na parte superior da cachoeira. Após uma breve visita, retornamos à bifurcação. Às 13:45 seguimos caminhada na trilha principal. Chegamos na bifurcação para a Cachoeira dos Cristas às 14:15 e após a visitação, retomamos a trilha principal às 15:30.

A ponte pênsil na chegada em Serra dos Alves

Às 16:30 chegamos na ponte pênsil. É uma ponte construída com cabos de aço e tábuas para facilitar a travessia do Rio Tanque. A ponte encontra-se em péssimo estado. Na primeira metade do caminho é necessário pisar apenas nas ripas transversais de sustentação do assoalho, que não existe mais. Na segunda metade as tábuas longitudinais que compõem o assoalho estão lá, mas com buracos e muito frágeis. Apesar disso, todo o grupo realizou a travessia sem grandes problemas. A dica é pisar sempre na direção das ripas de sustentação pois o assoalho não está nada confiável. É bom tomar cuidado também para não furar as mãos nas rebarbas do cabo de aço que serve de corrimão.

A travessia pelo leito do rio não nos pareceu boa opção. Primeiro porque as margens são um barranco irregular que seria chato de descer e subir. Depois porque, embora não parecesse muito fundo, certamente demandaria tirar as botas para atravessá-lo. Vencida a ponte, percorremos um trecho de pouco mais de 1 Km até a Pousada Portal da Serra, onde finalizamos a travessia às 17:10.

Dados dos trechos

DiaTrilhaDistânciaTempoD.M.G.E.A.P.E.A.
Dia 1Alto Palácio – Casa de Tábuas16,7 Km10:101054 m - 1494 m809 m775 m
Dia 2Casa de Tábuas – Casa dos Currais11,2 Km06:001402 m - 1676 m436 m421 m
Dia 3Casa dos Currais – Serra dos Alves11,9 Km08:30779 m - 1473 m246 m810 m

(*) As distâncias, altitudes, aclives e declives não levam em consideração as trilhas secundárias de acesso às Cachoeiras da Luci e dos Cristais. Entretanto, os tempo de caminhada incluem o tempo gasto nas cachoeiras. Foram desconsiderados também os trechos gastos em trilhas incorretas.

D.M. = desnível máximo
G.E.A. = ganho de elevação acumulado
P.E.A. = perda de elevação acumulada
Por: Ângelo Vimeney
Publicado em: 28/04/2019

Deixe seu comentário!