Marins x Itaguare
Serra da Mantiqueira, MG/SP
3 dias - jun/2019
 Início

O abrigo

Uma das primeiras questões que precisou ser resolvida no planejamento desta excursão, foi a pequena confusão com a expressão "acampamento (ou abrigo) na base (do) Marins". Ela aparecia repetidamente nos relatos que consultamos, porém, em certos momentos, parecia ter significados diferentes. A travessia está localizada na fronteira dos Estados de Minas Gerais e São Paulo, numa região rural, bastante simples. Na sua extremidade próxima ao Pico do Itaguaré, não existe qualquer estrutura, fora uma estrada de terra. Na extremidade próxima ao Pico dos Marins, existe um abrigo de montanha que era chamado de Abrigo Base Marins.

A fachada do abrigo Marins. Ao fundo, o restaurante e, em verde, os alojamentos.

A trilha se inicia a cerca de 60 metros da porta desse abrigo. Após cerca de 4,5 Km de caminhada montanha a cima, alcança um amplo descampado, próximo a nascente de um rio e com boas clareiras para acampamento. Ali, a trilha bifurca, de um lado seguindo por mais 1 Km até o cume do Pico dos Marins e do outro prosseguindo para o Itaguaré. É possível pernoitar tanto no abrigo ao pé da montanha, quanto no descampado próximo ao cume do Marins ou e até mesmo em clareiras no próprio cume do Marins. Quando alguém diz que dormiu "no Base Marins" está se referindo ao abrigo de montanha que fica no pé da montanha, antes de começar a trilha. Quando se fala "dormiu na base do Marins", a pessoa está se referindo ao descampado no meio da trilha, 1 Km antes do cume. Por fim, quem dorme no cume irá dizer explicitamente "fiquei no cume do Marins".

Um dos quartos no abrigo Marins

Vale ainda um esclarecimento sobre o nome do abrigo, baseado no que eu pude entender sobre a história do local: No passado, o abrigo era mantido por um senhor chamado Milton, que cunhou o nome "Abrigo Base Marins". Hoje, o abrigo é mantido por outra pessoa, o Dito. Apesar de não estar mais no abrigo, Milton continua usando a marca "Base Marins" e ainda atua com turismo na região. Portanto, acessando o site acampamentobasemarins.com você acabará entrando em contato com o Milton, que atualmente não tem mais nenhuma relação com o abrigo. Para informações sobre o abrigo, que hoje é conhecido apenas por abrigo Marins, é necessário falar com o Dito, pelo telefone (12) 99799-7524 (também aceita whatsapp).

Um dos banheiros no abrigo Marins

Nós jantamos e pernoitamos no abrigo na véspera da travessia. No dia seguinte, tomamos o café da manhã e partimos para a caminhada. Ao final do percurso, retornamos para almoçar e tomar banho. O local tem uma ampla área para estacionamento, e possui um restaurante com fogão a lenha que atende tanto os hóspedes do abrigo, quanto outros visitantes que passam ali apenas para fazer a refeição. Quanto à receptividade e à alimentação, só temos elogios. Fomos muito bem recebidos pelo Dito e sua esposa. A comida estava muito boa e bastante variada. Porém, algumas melhorias precisam ser levadas em consideração para o abrigo ficar 100%.

Nosso acampamento montado na base do Marins, a 1 Km do cume da montanha

A parte da comunicação pré-viagem foi difícil. O tempo de resposta é lento e a ausência de um site, ou mesmo de um e-mail de contato, faz com que o processo de obtenção de informações e planejamento seja tortuoso. A estrutura do local é bastante simples e, os banheiros, em particular, precisam melhorar. Em alguns banheiros não havia papel higiênico, em alguns não havia assento no sanitário, em alguns não havia onde pendurar roupas e outros não havia sabão. Por fim, os chuveiros não tem isolamento do restante do banheiro causando uma grande molhação.

Para referência, os valores cobrados durante nossa visita foram R$ 50 pelo pernoite no alojamento com café da manhã e estacionamento incluso. Refeição prato feito, R$ 20. Refeição servindo-se à vontade, R$ 30. Estacionamento avulso, R$ 20. É possível também acampar por R$ 10. Os pagamentos são feitos em dinheiro. O banho no retorno da caminhada saiu como uma cortesia oferecida aos hóspedes. Não me lembro do valor cobrado pelo "banho avulso".

Como o abrigo fica localizado bem "na boca da trilha", decidimos fazer a experiência de hospedagem motivados principalmente pela conveniência oferecida. Mas na região existe também a pousada do senhor Maeda, que foi muito bem recomendada. A pousada fica no meio do caminho entre a extremidade da trilha do Marins e a extremidade do Itaguaré. Certamente a hospedagem sairá mais cara, mas provavelmente atenderá melhor os que buscam um conforto adicional.

A estrada

Existem duas formas de acesso ao Abrigo Marins: A estrada do Bairro Marins e a estrada da Fazenda Saiqui. Seja qual for a opção, primeiramente é necessário chegar na pequena cidade de Piquete/SP pela BR-459. Após atravessar a cidade por cerca de 2 Km, a rodovia começa a subir a serra em direção às cidades de Barreira e Delfim Moreira. Tão logo se inicia a subida, surge à direita uma estrada secundária com a sinalização para o Pico dos Marins. Esta é a estrada de acesso via Bairro Marins. Ignorando-se essa saída e prosseguindo na BR-459 até o alto da serra, existe uma outra estrada secundária que leva até o abrigo passando pela Fazenda Saiqui. A descrição mais detalhada destes dois trajetos pode ser encontrada no blog Troupe Da Trip, inclusive com um mapa.

Segundo as informações que coletamos antes da viagem, a primeira opção (Bairro Marins) seria mais rápida, porém costuma estar em pior estado de conservação, dificultando o acesso de carros baixos. A segunda opção (Fazenda Saiqui) seria mais longa, porém normalmente encontra-se em bom estado de conservação. Baseados nessas informações, e por estarmos com um carro baixo (VW Fox), decidimos andar alguns quilômetros a mais e utilizar a opção supostamente mais segura: a estrada da Fazenda Saiqui.

De fato, ao sair da BR-459, pegamos uma estrada de barro em bom estado, que permitiu avançar com certa tranquilidade até alcançarmos as imediações da Fazenda Saiqui. Porém, algumas dezenas de metros após a entrada da tal fazenda, a estrada subitamente se transformou num grande atoleiro. Era um trecho em declive. O carro foi deslizando pelo barro enquanto o seu assoalho batia com força contra as pedras parcialmente enterradas na lama. Não podíamos parar pois certamente terminaríamos atolados. Tentamos manter a aceleração e controlar as derrapagens até conseguir no livrar da lama vários metros à frente. Já era noite, não havia sinal de celular. Corremos um alto risco de ficar atolados ali, e ter que ir andando atrás de um resgate.

Visual do conjunto do Marins a partir da estrada do Bairro Marins

Na volta para casa, decidimos não arriscar a passagem pelo atoleiro. Preferimos experimentar a estrada do Bairro Marins. No percurso, vimos que essa estrada fora calçada com bloquetes de cimento. Porém, com o passar do tempo, os bloquetes foram danificados e hoje ela se encontra com partes calçadas, partes de barro exposto, e partes onde os bloquetes estão parcialmente danificados. Estas últimas são as piores, pois ali encontram-se buracos no calçamento e diversos fragmentos de pedras soltas que dificultam a passagem. Como estávamos descendo para Piquete, o carro não teve problema de tração. Com um pouco de paciência, conseguimos desviar dos buracos e das pontas de pedra. Entretanto, se precisássemos subir em direção ao abrigo, certamente teríamos problemas para vencer os obstáculos.

Em resumo: Nenhuma das duas estradas de acesso ao Marins encontra-se em estado de conservação que permita o tráfego de automóveis convencionais com segurança. São estradas que sugerem o uso de um carro alto, preferencialmente 4x4. Interessante registrar que apesar destas constatações, havíamos conversado previamente com mais de um morador da região, os quais nos asseguraram que as estradas estariam boas. Aparentemente, a referência dos locais quanto às condições das estradas não é compatível com a minha. E estou bastante acostumado a andar em estradas de terra. Minhas sugestões para quem quer ir à região: Ou utilizar um carro apropriado para estradas em péssimo estado, ou chegar até Piquete e contratar algum transporte da região para finalizar o trecho até o Marins ou, minimamente, dividir o grupo em mais de um automóvel. Assim, no caso de algum problema, existirá outro veículo para dar suporte.

Visual do conjunto do Marins a partir da estrada do Bairro Marins

Falando agora da parte positiva: A estrada via Bairro dos Marins é, por si só, um atrativo da região. O visual para a cadeia de montanhas do Marins é um espetáculo. Saímos do abrigo em torno das 16:00 e pegamos o sol do final da tarde banhando as paredes rochosas. O contraste das imponentes pedras contra o verde brilhante dos vales ondulados nos fez parar para suspirar e fotografar algumas vezes. Não fosse a hora de retornar para casa, teríamos encostado o carro por alguns minutos para ficar contemplando aquelas montanhas. Naturalmente, terminamos a caminhada cansados e nos perguntando se voltaríamos a encarar este desafio novamente. Ao sermos enfeitiçados com a visão daquelas montanhas, nos lembramos porque nos dispusemos a atravessá-las, e sentimos que já havia sido plantada a semente que nos fará voltar a caminhar por ali no futuro.

Para referência: Saímos do Rio na quinta-feira às 13:30, chegando no centro de Cruzeiro às 16:30. Alcançamos o Abrigo Marins às 19:30, totalizando 6 horas de viagem. Descontando o tempo com paradas e uma falha de rota, gastamos cerca de 5 horas de percurso até o destino. Deixamos o abrigo às 16:00 do domingo e chegamos no Rio às 20:30, com uma breve parada para lanche. Pouco mais de 4 horas de direção. A diferença de 1 hora certamente se atribui ao fato da volta ter sido realizada pela estrada do Bairro Marins, que é significativamente mais curta do que a da Fazenda Saiqui. Vale também registrar a dica do abastecimento do automóvel em Cruzeiro: Lá encontramos a gasolina 20% mais barata do que no Rio de Janeiro.

Translado

Retorno ao abrigo Marins na caçamba do caminhão

Deixamos nossos automóveis estacionados no abrigo Marins e finalizamos nossa caminhada no lado do Itaguaré. Para nos trazer de volta ao abrigo, contratamos o serviço do Leandro Rocha. Ele dirige uma caminhão na região. Inicialmente, fiquei reticente quanto ao transporte do grupo na caçamba do caminhão. Mas depois vi que o trecho a ser percorrido consiste em uma estrada de terra pouco movimentada em uma região rural. Então a velocidade é bem baixa e os riscos reduzidos. O trajeto de volta leva 1 hora. O Leandro está acostumado a fazer este percurso e foi muito cuidadoso com o grupo. O valor cobrado foi de R$ 300, independente do tamanho do grupo. Os telefones de contato são (12) 99150-4478 e (12) 99632-7669.

Uma alternativa bem mais confortável é a van do Sr. Clóvis Ribeiro. Os telefones de contato são (12) 99773-4889 e (35) 99912-6720. O Dito do abrigo Marins também faz o serviço de dirigir o próprio carro do cliente até o final da travessia, por R$ 150. E também há a opção de transporte com o Sr. Maeda, da pousada.

Água

O acesso à água durante a travessia sem dúvida é um dos principais pontos do planejamento dessa excursão. A necessidade de transporte de grandes volumes de água durante a caminhada sempre é mencionada como um dos desafios para realização do trajeto. Durante a nossa experiência na caminhada, pudemos constatar o seguinte:

  • Se você não quiser deixar a trilha principal para "caçar" água, encontrará apenas três pontos de abastecimento: Um pequeno córrego na base do Pico Marins, uma fraca nascente na base do Itaguaré e um rio próximo ao final da travessia (lado Itaguaré).
Água na saída do acampamento, rumo ao cume do Marins. A foto não ajuda, mas estava correndo com um fluxo razoável.
  • O córrego na base do Marins é vizinho à área usada para acampar. Inclusive, a trilha que segue rumo ao cume do Marins passa por cima deste córrego, tão logo deixa a área de acampamento. Ali encontramos a água límpida e com um fluxo bem razoável. Segundo as informações dos relatos, apesar da boa aparência, esta água é contaminada pelos dejetos da área de acampamento e seu consumo não é recomendável.
  • A nascente na base do Itaguaré é alcançada pela trilha principal 270 metros após a bifurcação que leva ao cume do Itaguaré. A trilha atravessa uma pequena grota onde é possível coletar a água que pinga num cantinho, em meio a vegetação e às pedras. Como o fluxo é fraco, é preciso um pouco de paciência para conseguir encher as garrafas. Segundo os relatos, esta água não é contaminada como a do Marins.
  • A terceira e última fonte de água interceptada pela trilha, é o rio que corre bem próximo ao final da caminhada no lado Itaguaré. Encontramos a água transparente, fluindo em bom volume, inclusive convidando para um banho. Nos relatos não há contra indicações ao seu consumo. Porém, como fica localizada bem próxima à extremidade da trilha, não tem grande utilidade do ponto de vista da logística para a travessia.

Esses são os três pontos de água principais, muito fáceis de serem localizados e próximos à trilha. Todavia, enquanto estudávamos alguns tracklogs e relatos antes da viagem, encontramos referências a uma quantidade maior de pontos de água. Na nossa caminhada, entretanto, não saímos em busca destas alternativas e, na maioria dos casos, sequer notamos qualquer indício da sua existência. Imagino que sejam pontos sazonais, e/ou com acesso complicado, que não seriam confiáveis para serem adotados como fonte primária de água. Dentre essas "fontes alternativas", vale uma nota sobre a água supostamente disponível no topo do Morro do Careca: A maioria dos relatos atesta a sua disponibilidade, o que nos leva a crer na facilidade de encontrá-la. Porém, sua localização, relativamente próxima a extremidade da trilha no lado Marins, faz com que sua relevância para a logística seja muito baixa.

Água no final da triha, lado Itaguaré. Esta é abundante, mas inútil para a logística da excursão.

Na nossa travessia, acabamos adotando a estratégia mais conservadora (e mais desgastante) o possível: Levamos nas costas água para praticamente os três dias de caminhada. Chegamos a esta resolução baseados no seguinte: Alcançar o topo do Morro do Careca seria relativamente rápido então não valeria a pena correr o risco, e perder o tempo de desviar o caminho, para reabastecimento ali. No acampamento na base do Marins, os relatos recomendavam fortemente não utilizar a água, potencialmente contaminada por fezes. Achamos prudente seguir a recomendação. Por fim, não sabíamos exatamente onde dormiríamos na segunda noite, nem como estaria a nascente após o Itaguaré. Então essa última fonte possivelmente só seria útil quando já estivéssemos iniciando a caminhada de descida, que por sua vez é concluída de forma relativamente rápida.

O grupo transportou entre 5 e 6 litros d'água por pessoa. No meu caso optei por 5 litros. No primeiro dia consumi 1,5 litros. No segundo dia consumi 2 litros. No terceiro dia, os 1,5 litros restantes, sem necessidade de nenhum reabastecimento. Eu normalmente bebo pouca água. Ainda assim, obviamente, nesse caso se tratou de um consumo racionado, visando minimizar o peso total a ser transportado e manter o estoque por mais tempo o possível. A economia nos dois primeiros dias foi de importância crítica, já que não havia certeza de quando alcançaríamos a potencial fonte do Itaguaré. No contexto do racionamento de água, o segundo dia foi o mais sacrificante. Isso porque esse o foi o dia mais exigente fisicamente, e já havia a desidratação acumulada do primeiro dia.

Apesar do grande sacrifício físico, não existem muitas alternativas a esta estratégia, já que o trecho central da travessia, mais longo e exigente fisicamente, é justamente o trecho onde a água é mais rara. Em uma próxima oportunidade, cogitamos a possibilidade de tratar a água do acampamento na base do Marins. Como disse, nós constatamos que o fluxo estava bem razoável e a aparência boa. Além disso, exploramos a área e identificamos um ponto de coleta seguindo a trilha em direção ao Marinzinho. Não há grande mistério, basicamente seguimos contra o fluxo d'água que passa próximo ao acampamento. Ali, a água provavelmente não estaria tão contaminada pelo acampamento e, com fervura, eliminaríamos quaisquer patógenos. Assim, reduziríamos significativamente a quantidade de água a ser transportada, ao preço de um pouco mais de gás para o fogareiro e tempo para coleta e esterilização.

Dejetos

Shit tube prático montado com um saco plástico, um pouco de cal e pote de Ovomaltine.

A região da Marins x Itaguaré sofre com o excesso de visitação e também má educação dos frequentadores. O solo raso e pedregoso dificulta a disposição correta e decomposição de resíduos orgânicos. Como resultado, a montanha fica poluída e seus recursos mais nobres, como a fonte de água ao lado do acampamento Marins, contaminada. Já imaginou como seria bom poder contar com água de qualidade bem ali do lado do Marins? Colabore com a limpeza da montanha e traga de volta todo o seu lixo, inclusive o seu cocô.

É fácil achar na Internet sites que ensinam como confeccionar o seu shit tube. O site blogdescalada.com é um desses exemplos. Soluções mais práticas consistem no emprego de embalagens com tampa de rosca já prontas, como a do Toddy e a do Ovomaltine. No nosso grupo tínhamos uma variedade de modelos. Os de tubo de PVC, os potes reutilizados e até mesmo um saco estanque. Aqui no Rio de Janeiro não é fácil encontrar o cal virgem. Uma dica é a loja B Herzog, localizada na Rua Miguel Couto, 131, no Centro da cidade.

Orientação

Sinalização do caminho através de setas pintadas na pedra. Trecho antes da escalada da fenda, na subida para o acampamento na base do Marins (excepcionalmente neste ponto as setas estão bem grandes).

Outro aspecto que não deve ser menosprezado nessa travessia é o da orientação. A sinalização na maior parte do percurso oscila entre discreta ou inexistente. Quando está presente, consiste ora em pequenos totens de pedra, ora em pequenas setas amarelas ou brancas pintadas na rocha. As setas pintadas são mais encontradas nas pontas da travessia. Ou seja, na trilha até o cume Marins e na trilha até o cume do Itaguaré. Os totens são a sinalização mais comum na parte central, entre essas duas montanhas.

Grande parte do percurso se dá sobre lajeados, ou escalando e desescalando rochas, um tipo de terreno onde o rastro da passagem das pessoas não fica muito evidente, dificultando a identificação do trajeto. Há também os trechos de mato alto, suficiente para cobrir uma pessoa. Ali o rastro poderia estar mais claro, porém nestes trechos o fluxo de visitantes não é intenso o suficiente para manter a trilha aberta. A vegetação densa cobre o chão e prejudica a visibilidade à frente. Pra completar, existem também vários pontos onde encontra-se rastros de trilhas incorretas, sejam trilhas antigas abandonadas ou trilhas deixadas pelas inúmeras pessoas que acabam errando o trajeto no mesmo ponto.

'Trilha' no mato alto após a Pedra Redonda. Em destaque, um dos integrantes da equipe 'submerso' na vegetação.

Em inúmeros momentos nos encontramos inseguros sobre a trilha correta, diversas vezes precisamos investigar o trecho à frente a procura da continuação da trilha e outras tantas vezes precisamos retornar parte do percurso para retomar o caminho correto, ou apenas para nos certificar de que não havíamos deixado passar nenhuma bifurcação. No segundo dia de caminhada, totalizamos 1 hora desperdiçada somente por conta de dois problemas de navegação.

Ambos ocorreram logo no início do dia. Cento e cinquenta metros ao sair do acampamento na base do Marins, começamos a subir a crista central em direção ao Marinzinho. Depois, percebermos que deveríamos ter primeiro atravessado o córrego e só então subir a crista do lado direito. Porém, o problema pior veio logo depois, 650 metros após a saída do acampamento. Atravessamos um terreno alagado e começamos a ladear uma outra crista pela esquerda. Continuamos seguindo uma trilha antiga sem perceber um totem que indicava a hora de ascender. Apenas depois de um bom tempo caminhando por um terreno bem ruim, notamos que estávamos no lugar errado.

Ainda na descida da Pedra Redonda. Em destaque, dois integrantes da equipe navegando pela vegetação.

É uma trilha onde a experiência de navegação e uso de bons equipamentos de navegação é fundamental, e/ou a companhia de alguém que conheça bem o trajeto. É importante observar que a trilha segue a todo tempo as cristas das montanhas, a semelhança da Serra Fina. Se você começar a esquivar para a lateral da montanha, provavelmente estará se desviando do caminho. Nestes momentos de escape, normalmente começam a aparecer rochas mais expostas e passagens mais técnicas. É um indicativo de que você certamente saiu da rota. A trilha tem lances técnicos, mas são todos bem conhecidos. Se você encontrar um lance estranho, do qual não tinha ouvido falar antes, deve estar no caminho errado. Na seção de downloads disponibilizo as cartas topográficas e tracklogs que podem auxiliar na realização do percurso.

Outras dicas

  • Frequentemente são encontradas passagens estreitas por rochas e vegetação alta. Mantenha todos os seus equipamentos dentro da mochila para evitar que sejam danificados ou perdidos pelo caminho. Durante a caminhada achamos muitos pedaços de isolantes térmicos de EVA. O transporte deste equipamento fora da mochila é totalmente desaconselhável nessa travessia: Destrói o equipamento e polui a montanha.
  • Geralmente quando estou com a cargueira utilizo dois bastões de caminhada. Por conta dos relatos de intermináveis trepa-pedras, nesta travessia optei por apenas um. Nos momentos das escaladas dava vontade de arremessá-lo montanha abaixo. Mas em outros momentos ele acabava dando um bom suporte para os joelhos. No final, achei que fiz uma boa escolha. Minha recomendação para esta caminhada é escolher entre 1 ou nenhum bastão, mas jamais o par.
  • No ataque ao cume do Marins, levamos nossos alimentos para evitar que roedores tentassem entrar na barraca para roubá-los, conforme aconteceu na Serra Fina. Durante a madrugada algumas mochilas ficaram fora da barraca embaladas em sacos plásticos. Em uma delas, foram deixados alimentos. Ao amanhecer, o saco estava roído e o queijo tinha sido atacado. Lembre-se de manter todos os seus alimentos perto de você.
Por: Ângelo Vimeney
Publicado em: 17/06/2019

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