Grand Teton National Park
Wyoming, EUA
8 dias - ago/2019

Parte I

25/08 - 28/08) Rio de Janeiro → Grant Teton

O Lake Mead e a Hoover Dam vistos minutos antes da aterrissagem em Las Vegas

No meio da noite do dia 25/08/2019 partimos do aeroporto do Galeão. À nossa frente, cerca de 18 horas de viagem até Las Vegas, incluídas as 4 horas de conexão em Miami. Os voos transcorreram sem problemas e passamos pelos procedimentos de imigração e alfândega em Miami com tranquilidade. Avisamos que estávamos transportando alimentos industrializados para acampamento e liberaram nossa entrada sem restrições. Pousamos em Las Vegas às 10:50 do dia 26. Diferentemente das visitas anteriores, chegamos de dia, e pudemos observar a paisagem desértica da região a partir da janela do avião. Avistamos inclusive a Hoover Dam e o Lake Mead, que visitamos durante a viagem ao Zion. Ao sair do aeroporto, reencontramos um velho conhecido: o calor de mais de 40°C do verão de Las Vegas.

No próprio aeroporto retiramos o carro que havíamos reservado alguns meses antes e partimos para o almoço e o hotel Super 8 da Las Vegas Boulevard, outro velho conhecido de nossas viagens anteriores. Usamos o resto do dia para descansar da viagem e iniciar a organização dos alimentos e cargueiras para o parque. No dia seguinte, fomos à REI de Henderson para fazer compras, em particular adquirir os itens que não podem ser transportados no avião, como os cartuchos de gás para os fogareiros e os bear sprays. Fomos também ao mercado para comprar os alimentos que preferimos não trazer do Brasil para evitar problemas com alfândega. À noite fizemos um jantar no buffet do hotel Luxor. Uma oportunidade de rever as luzes da Strip antes de pegar a estrada para o Wyoming.

Na estrada de Las Vegas para o Grand Teton

Partimos de Las Vegas às 6:10 do dia 28. Nossa rota seria muito semelhante a realizada para o Yellowstone. Porém, evitaríamos a passagem por Salt Lake City, dando preferência a um caminho mais cênico, cruzando as simpáticas cidades de Provo, Bear River e Afton. Chegamos no acampamento Colter Bay, na parte central do Grand Teton, às 21:00. Uma viagem de 14 horas de duração, levadas em consideração as diferenças de fusos horários. Como não era possível fazer reservar antecipadas, estávamos receosos de não conseguir vagas no campground. Felizmente, ainda haviam campsites disponíveis. Sacamos as lanternas, montamos as barracas rapidamente e partimos para a Colter Bay Village. Tarde demais para conseguir um banho, ou comer no restaurante, mas conseguimos (por pouco) matar a fome na pizzaria que ainda estava aberta. Agora só restava descansar da longa viagem, ansiosos para começar a explorar o parque na manhã seguinte.

29/08) Jenny Lake + Cascade Canyon Trail

Embarcação que faz a travessia do Jenny Lake

Acordamos às 6:30 animados para o nosso primeira dia de caminhada no Grand Teton. A temperatura de zero graus dificultava um pouco o preparo do café da manhã, mas felizmente estava acima da nossa expectativa de alguns graus negativos. Deixamos o acampamento em torno das 8:00. Como havíamos chegado tarde na noite anterior, tivemos ainda que fazer nosso check-in ao passarmos pelo posto de controle de acesso ao campground, rumo à estrada. Tomamos a 89 em direção ao sul e depois a Teton Park Road rumo ao Jenny Lake. Era uma bela manhã de sol e o visual da cadeia de montanhas do Teton a partir da estrada estava explêndido!

Visual do Jenny Lake a partir do Inspiration Point

Alcançamos a margem sul do Jenny Lake em torno das 9:15. Nosso plano para o dia era caminhar pela margem do lago, no sentido horário, até a boca do Cascade Canyon, conhecer as Hidden Falls, o Inspiration Point e avançar o máximo possível por dentro do cânion em direção ao seu vértice, encontrando a Teton Crest Trail. Depois, voltaríamos ao Jenny Lake pela mesma trilha para então completar a volta ao lago. Porém, com a hora avançada, preferimos tomar o barco que atravessa o lago deixando os visitantes bem na boca do Cascade Canyon. Com isso, ganhamos algumas horas para melhor explorar o interior do cânion.

A travessia de barco é bem curta, em menos de 10 minutos estávamos do outro lado. Às 9:45 começamos a caminhar. Esse trajeto é um dos mais populares do parque, então havia um número razoável de pessoas na área. Às 10:00 chegamos na Hidden Falls. Uma bonita cachoeira, quem sabe ofuscada pela beleza do Jenny Lake e das montanhas no entorno. Achei mais interessante o Inspiration Point, 15 minutos de caminhada adiante. De lá tivemos uma bela vista do lago, a cerca de 100 metros acima do seu espelho d'água.

Um esquilo perfeitamente habituado se alimenta em frente ao público no Inspiration Point

Deixamos para trás grande parte do público e começamos a adentrar o Cascade Canyon. O Cascade Canyon não tem nada a ver com aquela imagem clássica de cânion onde um rio corre constrito por imponentes paredões rochosos escarcapados. Assim como diversos cânions naquele parque, o Cascade Canyon foi deixado para trás após a retração de um grande glaciar. Sua calha tem forma de U, ele é largo e a trilha em seu interior segue o leito do córrego Cascade, ganhando elevação gradualmente.

Dentro do cânion a vegetação é bastante desenvolvida. Periodicamente, através das árvores, conseguíamos observar as montanhas ao redor, ainda com bolsões de neve, acumulados durante o inverno. Logo abaixo da neve, cachoeiras de degelo escorriam pelas paredes rochosas. Em alguns pontos, a água cristalina se acumulava em alagados de cor verde esmeralda. Foi em um destes pontos que avistamos, sob um amontoado de pedras, a primeira marmota da viagem, se banhando ao sol. Tirando os esquilos, esse foi o mamífero que mais encontramos nas caminhadas. Todos os dias um ou mais espécimes alegravam nossa caminhada com sua presença. Na maioria das vezes, emergiam do amontoado de rochas das morainas laterais dos antigos glaciares, em duplas ou solitárias. Encontramos inclusive algumas com pelagem preta, bastante incomum.

Visual das montanhas dentro do Cascade Canyon

Pouco depois do meio-dia alcançamos nosso objetivo: A parte superior do cânion, onde ele se bifurca ao norte em direção ao Lake Solitude e ao sul em direção à Hurricane Pass. Alguns dias depois, passaríamos por esse mesmo ponto durante a Teton Crest Trail. Lanchamos e retornamos pela mesma trilha até o Inspiration Point, às margens do Jenny Lake. Decidimos contornar o lago pelo sentido anti-horário, mais curto. Nosso plano era tomar uma trilha bem próxima à margem, mas descobrimos que essa trilha está fechada para recuperação ambiental. Utilizamos uma trilha paralela, um pouco mais afastada da margem, porém mais elevada, com belo visual.

As duas trilhas se encontram cerca de 2Km depois, próximo a um alagado chamado de Moose Pond. Ali tivemos uma feliz surpresa! Avistamos um alce pastando. No ano passado, tivemos um única oportunidade de observar esse animal no Yellowstone. Esse ano estávamos contando com melhores avistamentos. Foi ótimo poder observá-lo por vários minutos se alimentando tranquilamente de sua preciosa vegetação subaquática. Naquele momento não poderíamos imaginar que, dentro de poucos dias, durante a Crest Trail, teríamos a oportunidade de interagir com esses animais muito mais próximo do que o esperado... Prosseguimos a caminhada, finalizando a trilha às 16:30.

Alce se alimenta no Moose Pond, próximo ao Jenny Lake

A retirada do nosso permit para a Teton Crest Trail estava agendada para o dia seguinte, no Colter Bay Visitor Center. Mas se conseguíssemos antecipá-la, teríamos uma preocupação a menos para o próximo dia. Aproveitamos a proximidade à Jenny Lake Ranger Station para fazer uma tentativa de retirada. Fomos bem recebidos pela guarda-parque de plantão, que emitiu nosso permit e nos entregou os bear canisters que precisaríamos utilizar durante a travessia. Retornamos à Colter Bay para o banho aguardado desde o dia anterior e o jantar. Depois, já na área de acampamento, adiantamos a organização dos alimentos, medicamentos e itens de higiene que usaríamos na travessia. Com suprimentos para cinco dias de percurso, fazer tudo entrar no reduzido espaço dos bear canisters se torna um verdadeiro jogo de quebra-cabeças. Esse processo se estendeu por certo tempo durante a noite. Nos últimos instantes antes de dormirmos, uma chuva repentina nos surpreendeu após o dia ensolarado. Fechamos as atividades correndo para dentro das barracas.

30/08) Death Canyon Trail

Manhã no Willow Flats. Com a imagem ampliada talvez seja possível identificar o rebanho de cervos no lado direito da pradaria.

Novamente em torno das 6:30 estávamos levantando para mais uma caminhada. A chuva da noite anterior se limitou a algumas pancadas isoladas e o dia amanheceu com temperaturas mais elevadas do que na véspera: cerca de 8°C. Nosso plano para o dia era explorar o Death Canyon, outro dos principais cânions da cadeia de montanhas do Teton. Tomamos a 89 mais uma vez em direção ao sul. Ela encontra a Teton Park Road próximo a Willow Flats, uma bela pradaria no sudeste do Jackson Lake. Avistamos ali um rebanho de cervos pastando com as montanhas ao fundo. Encostamos o carro e gastamos alguns minutos observando os animais à distância. Os binóculos deram um toque especial à diversão. Eles são um equipamento bastante útil no Yellowstone e Grand Teton. Prosseguimos pela Teton Park Road e depois pela Moose-Wilson Road em direção à Death Canyon Trailhead. O dia estava lindo e pudemos contemplar de novo as imponentes montanhas ao oeste e as amplas pradarias ensolaradas ao leste. A propósito, dirigir por aquelas estradas foi um ritual que prazeirosamente repetimos durante essa viagem.

Fezes frescas de urso

Começamos a trilha às 9:15. Com 40 minutos de percurso alcançamos um belo mirante para o Pelphs Lake, 200 metros abaixo. A caminhada continuou com belas vistas do lago e das montanhas no entorno. Logo percebemos que seria difícil escolher qual dos cânions teria sido o mais bonito. Durante essa caminhada, encontramos os primeiros sinais mais evidentes da presença dos ursos na região: fezes frescas e abundância de apetitosas frutas silvestres. Nos próximos dias de caminhadas teríamos dois encontros bastante próximos com esses animais fascinantes. Apesar desses sinais, dentro do cânion cruzamos apenas com algumas simpáticas marmotas e, pela primeira vez, no deparamos com as divertidas pikas. Assim como as marmotas, encontramos com elas em várias oportunidades, sempre correndo sobre pilhas de sedimentos rochosos acumulados nas encostas.

Uma das marmotas que encontramos dentro do Death Canyon

Em alguns trechos da caminhada percebíamos algumas folhagens ganhando tonalidades avermelhadas. Uma indicação de que o outono naquela região promete fotografias bastante coloridas. Estando ainda no final de agosto, não pudemos contemplar plenamente esse tipo de visual. Mas aproveitamos a vegetação verde exuberante, com frutas e muitas flores. O Death Canyon é substancialmente mais longo do que o Cascade Canyon. E o seu relevo um pouco mais difícil de ser vencido. Gostaríamos de percorrê-lo até o final, mais uma vez encostando na Teton Crest Trail, por onde passaríamos alguns dias depois. Porém não demorou até percebermos que, dessa vez, não seria possível alcançar o objetivo. Não queríamos finalizar a caminhada muito tarde, em particular porque não é uma prática aconselhável em terra de ursos pardos. Às 12:30 interrompemos a trilha. Havíamos percorrido cerca de 9 dos 15 Km totais. Lanchamos e relaxamos sobre algumas pedras antes de iniciar o retorno.

O grupo caminha na Death Canyon Trail

Finalizamos a caminhada às 16:00. Aproveitamos a proximidade do Craig Thomas Visitor Center para uma rápida visita. Em seguida, retornamos à Colter Bay para o último banho quente e jantar no restaurante antes da travessia. Ao chegarmos no acampamento, foi preciso finalizar a organização dos bear canisters, das mochilas cargueiras e do carro para a travessia que se iniciaria no dia seguinte. Tentamos também deixar os preparativos do café da manhã o mais adiantados o possível para agilizar a saída na manhã seguinte. Já era escuro e apenas um integrante do grupo restava fora das barracas quando tivemos uma visita inesperada. Eu estava fechando o avancer da minha barraca quando observei essa cena: Nosso amigo em uma ponta da mesa preparando sua mochila e na extremidade oposta uma raposa com as orelhas em pé e cauda peluda observando os alimentos sobre a mesa. Certamente estava pronta para abocanhar algum item e sair sorrateira. Pulei para fora da barraca e corri atrás dela até a estrada, onde ela desapareceu na escuridão. Infelizmente, não houve qualquer chance de registrar o encontro, fora na memória... Fui dormir muito satisfeito por ter encontrado mais um animal selvagem nos últimos minutos daquele dia.

31/08) Teton Crest Trail Day #1

Frutas silvestres dentro do Granite Canyon. Um alerta típico para a possível presença de ursos na área.

Acordamos no Colter Bay Campground às 6:00, com temperaturas em torno de 2°C. Rapidamente desmontamos as barracas e tomamos novamente a estrada rumo ao sul. Nas primeiras horas da manhã os animais estão mais ativos e é preciso atenção redobrada na direção. Um veado atravessou a pista bem na nossa frente, nos dando um susto logo cedo! Acessamos de novo a Wilson-Moose Road, deixando para trás o acesso ao Death Canyon, e seguindo em direção à Granite Canyon Trailhead, ponto de partida da nossa travessia. Iniciamos a subida do Granite Canyon às 08:45. Para manter os dias de travessia o mais homogêneos o possível, precisaríamos andar 12 Km todos os dias. Entretando, sempre que possível estenderíamos a caminhada para evitar surpresas no dia seguinte. Nosso permit determinava o pernoite na área Granite Upper. Hoje tentaríamos avançar o máximo possível dentro dela.

O Granite Canyon foi o terceiro cânion que percorremos nessa viagem. Ele entrou na difícil disputa pelo posto de mais bonito. Na sua parte inferior, encontramos grande concentração de frutas silvestres e, junto à elas, marcas prováveis de garras de urso no tronco de uma árvore. De forma geral, o caminho estava bastante florido e foi se tornando especialmente encantador na sua porção superior, quando o campo de visão foi se abrindo e as montanhas ao redor foram ficando mais impactantes. Assim como os demais, o Granite Canyon trata-se de um cânion largo, em forma de U, modelado pela ação de um antigo glaciar. A trilha ganha elevação gradativamente, e acompanha o curso do Granite Creek.

O grupo caminha no Granite Canyon em direção à Housetop Mountain

Conseguimos progredir com facilidade por dentro do cânion e às 14:00 já estávamos buscando um local para acampar. Localizamos um campsite espaçoso à esquerda da trilha, mas logo avistamos uma pessoa ocupando o local. Progredimos poucas centenas de metros e identificamos outro campsite. Esse era menos espaçoso, tinha pouca sombra e o chão era um pouco irregular. Tentamos avançar um pouco mais na trilha, entretanto descobrimos que a área designada para acampamento se encerrava logo à frente. Então não tivemos outra escolha. Apesar dos pequenos inconvenientes, não podíamos reclamar do nosso lar naquele dia. O rio corria a poucos metros de nós e um amplo campo de flores amarelas se estendia na nossa frente. Ao fundo, lindas colinas arborizadas e a ponta rochosa da Housetop Mountain.

Nosso acampamento no Granite Canyon

Tivemos bastante tempo para relaxar e curtir o local. Na outra margem do rio definimos nosso ponto de jantar e armazenamento dos bear canisters. Isso porque, um dos protocolos de segurança que precisávamos seguir era cozinhar e estocar a comida a pelo menos 100 metros das barracas. Antes de dormir demos início a um ritual que nos acompanhou durante o restante da travessia: algumas rodadas de "Copas Fora" no crepúsculo. Em meio a partida de baralho percebemos no topo da colina um alce. Inicialmente era um ponto marrom que poderia se passar por uma grande pedra. Mas depois começou a se movimentar e não deixou dúvida da sua identidade. Nos divertimos um pouco observando o animal com os binóculos e assim que se tornou difícil identificar os números e naipes das cartas nos recolhemos às nossas barracas.

01/09) Teton Crest Trail Day #2

Dois alces se aproximam do nosso acampamento no Granite Canyon

O segundo dia de travessia foi um dos mais marcantes e mais bonitos da nossa viagem ao Grand Teton. Acordamos pouco depois das 6:00, com temperaturas ligeiramente acima de 0°C. Ao sairmos das barracas descobrimos que o alce da noite anterior havia descido a colina ao norte do nosso acampamento, e agora pastava a apenas 60 metros de nós. Ao que tudo indica, se tratava de uma fêmea, e estava acompanhada de um filhote já bem crescido. Ficamos ali admirando os animais, que não se assustaram com nossa presença. Ao invés disso, continuavam pastando e se aproximando cada vez mais. Queriam atravessar o rio, e nossas barracas pareciam estar no meio do caminho. O alce maior claramente demonstrava dominância sobre o outro. Ele veio parar bem ao nosso lado, e então nos protegemos atrás de algumas árvores. Enquanto isso, o menor cruzava para a outra margem. Como se estivesse satisfeito com a sua manobra de dissimulação, o maior agora se afastava de nós e também seguia o seu caminho para o outro lado do rio.

Marion Lake

Felizmente os animais conseguiram realizar sua travessia sem causar nenhum dano às barracas e nós ganhamos ótimas recordações daquela manhã no Granite Canyon. Às 9:15 partimos para o trecho final de subida do cânion, rumo ao Marion Lake. O caminho estava repleto de flores e o lago é lindíssimo! Estávamos extasiados com o visual e o dia mal havia começado. Fomos ganhando altitude e deixando o Marion Lake para trás, enquanto adentrávamos um amplo campo de altitude. À nossa esquerda as escarpadas encostas da Fossil Mountain, à direita o exótico Spearhead Peak e, pouco a pouco, os imponentes Tetons, o Static Peak e a Buck Mountain surgiam quilômetros à nossa frente. Para completar o visual, gigantescos blocos de pedra podiam ser avistados contrastando com o descampado, dando um ar ainda mais excêntrico àquele ambiente.

Deixamos para trás o discreto Pass Lake e começamos a percorrer a Death Canyon Shelf. Como diz o nome, uma curiosa formação semelhante a uma prateleira, confinada à nossa esquerda por uma imponente parede rochosa e à direita pelo Death Canyon. Ali de cima pudemos ver como é extenso o Death Canyon. E percebemos como, na nossa breve exploração daquele cânion poucos dias atrás, ainda faltava chão a ser percorrido para eventualmente alcançarmos o seu vértice. Atrás do Death Canyon, podíamos ainda observar no horizonte a extensa cadeia de montanhas onde se situa a Prospectors Mountain, e víamos também o Spearhead Peak sendo deixado para trás. Ao deixarmos a prateleira alcançamos a Caribou Targhee National Forest, onde encontramos um cenário talvez mais árido, mais rochoso, porém, não menos bonito. Começamos então a descida para a Alaska Basin, onde faríamos nosso segundo pernoite da travessia.

A caminho da Death Canyon Shelf
Foto: Patrícia Carvalho

Estávamos a quase 2900 metros de altitude, não encontrávamos frutas silvestres fazia algum tempo, assim como qualquer sinal de ursos. O grupo havia se separado um pouco quando eu alcançava um pequeno córrego. Alguns amigos já haviam atravessado o curso d'água e estavam algumas dezenas de metros à frente. De repente, os ouvi alertando "Urso! Urso!". Havia um jovem urso preto bem perto da margem! Localizei o animal e, enquanto procurava pela presença da sua mãe nas redondezas, apertei o passo para me juntar à nossa amiga que estava justamente no córrego, abastecendo sua garrafa d'água. O urso se assustou com nossa movimentação e se apressou para deixar a área. Gritei para o último integrante do nosso grupo, que agora se aproximava do local. O urso desceu uma encosta logo à frente e nosso amigo retardatário acabou perdendo a oportunidade de avistar o bicho. Felizmente, o urso já era grandinho o suficiente para estar desacompanhado da sua mãe e o nosso encontro deixou apenas boas lembranças. Além disso, reforçou a lição de estar sempre alerta. Quando menos se espera... Os animais aparecem.

Encontro com urso preto próximo aos Basin Lakes
Foto: Patrícia Carvalho

Já havíamos cumprido a meta quilométrica do dia, mas não resistimos à tentação de continuar andando e acampar próximo aos Basin Lakes. Chegamos lá às 15:45. O lugar é bonito, coalhado de lagos pequenos e médios aqui e acolá. Devido ao feriado do Labor Day, e à confluência de trilhas naquela área, encontramos muito grupos acampando ali. Como a região é extensa, as barracas não estavam aglomeradas, mas quem está acostumado com o isolamento dentro dos Parques Nacionais americanos, certamente estranharia aquela grande população. Conseguimos um bom lugar para nos instalar e partimos para um banho gelado no lago maior. Depois, jantamos e curtimos um belo pôr do sol na margem do lago. Finalizamos esse dia tão especial namorando as estrelas do hemisfério norte.

Por: Ângelo Vimeney
Publicado em: 06/10/2019

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