Yellowstone National Park
Wyoming/Montana/Idaho, EUA
14 dias - set/2018
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Visitando um clássico

Estava decidido a voltar aos Estados Unidos em 2018 para visitar mais um parque nacional. Dentre os mais bem cotados para esta nova incursão estavam o Olympic National Park e o Yellowstone. Após assistir alguns documentários sobre eles, a curiosidade de conhecer o primeiro parque nacional dos EUA, e do mundo, falou mais alto. O Yellowstone foi instituído em 1872 através de decreto presidencial assinado por Ulysses S. Grant. O parque possui uma área de 890 mil hectares, equivalente a 222 vezes o Parque Nacional da Tijuca e 44 vezes o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. É o segundo maior parque dos Estados Unidos contíguos, perdendo apenas para o Death Valley. Ele fica situado nas Montanhas Rochosas, abrangendo os Estados do Wyoming, Montana e Idaho.

Visual a partir do mirante da Prismatic Spring

O Yellowstone é mundialmente conhecido por sua fauna e geologia diferenciada. O parque abriga a maior concentração de mamíferos dos Estados Unidos contíguos, e uma grande diversidade de outras espécies. É um dos poucos lugares no Estados Unidos onde podem ser encontrados lobos cinzas vivendo em liberdade e um dos únicos três parques nos Estados Unidos contíguos habitados, tanto por ursos pretos, quanto por ursos pardos. Sem contar com os grande rebanhos de bisões, alces e cervos que frequentam o parque e podem ser facilmente avistados pelas pradarias ou mesmo nas estradas pelos visitantes.

A experiência no Yellowstone mais uma vez nos mostrou como a América do Norte é rica em paisagens fascinantes e diversificadas. Caminhamos por cenários de beleza impressionante e, ao mesmo tempo, bem diferentes do que vimos nas visitas anteriores. Enquanto no Yosemite, por exemplo, se destacam as gigantescos paredes de granito escarpadas, no Yellowstone predomina um relevo muito mais suave. Sua cobertura vegetal é ao mesmo tempo monótona, composta 80% pela mesma espécie de conífera e, simultaneamente, impressiona pela vastidão das florestas e descampados que se perdem no horizonte. Em um momento estávamos atravessando uma floresta de pinheiros densa, interminável, para logo em seguida, alcançar um amplo campo aberto, rasgado por rios sinuosos.

Visual no segundo dia da travessia Heart Lake trailhead to South Boundary
Foto: Alexandre Brasil

Presenciamos a erupção de geysers, fizemos travessias margeando rios de águas termais, com cheiro de enxofre. Acampamos ao lado de lagos e rios belíssimos, em completo isolamento de outras pessoas ou qualquer infraestrutura. Dormimos sob as estrelas, em noites de silêncio profundo, por hora interrompido pelas vocalizações macabras e extravagantes dos cervos na madrugada. Tivemos nosso acampamento "invadido" por um bisão, observamos um grupo de cervos se banhando num rio logo após nosso jantar. Vimos inúmeros esquilos, corvos, coiotes, a água americana e vários outros animais. Uma série de momentos únicos, que fizeram desta viagem uma experiência a ser lembrada por toda a vida.

Melhor do que viver estas experiências é vivê-las junto com os amigos. Tive a alegria de fazer parte de uma equipe de cinco companheiros que permaneceram unidos desde o planejamento da viagem até depois da sua realização. A viagem durou três semanas, sendo duas delas integralmente dentro do Parque. Durante todo este tempo, foi preciso dividir o mesmo carro, os mesmos quartos de hotel, as mesmas barracas. Foi preciso sincronizar nossos horários para iniciar e finalizar as caminhadas, preparar as refeições, tomar banho, montar e desmontar acampamento ou qualquer outra atividade. Em território de ursos pardos, a unidade do grupo era não apenas uma regalia, mas uma questão de segurança. Apesar do intenso convívio, não tivemos nenhum desentendimento. A viagem foi também um grande sucesso de integração e colaboração entre pessoas.

Por: Ângelo Vimeney
Publicado em: 03/06/2019

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