Yosemite National Park
California, EUA
14 dias - jun/2015

Fauna & Flora

Meadow com floresta de coníferas ao fundo e Unicorn Peak em último plano

Além da chance de conhecer de perto um relevo bastante distinto do brasileiro, a visita ao Yosemite é também uma excelente oportunidade para apreciar flora e fauna em formas inexistentes no nosso território. As coníferas dominam a paisagem no Parque. São diferentes espécies cobrindo vastas extensões de montanhas e vales. Dentre elas, estão as famosas sequoias, com suas impressionantes dimensões e idades seculares. Conhecemos também os meadows, amplos gramados abundantes em água, um ecossistema riquíssimo e muito belo. Seja quando nos defrontamos com a profundidade e o brilho reluzente dos meadows ou quando nos vemos caminhando dentre os troncos espessos das florestas de coníferas, a flora do Yosemite é mais um dos agentes que nos fazem sentir muito pequenos, diante da exuberância da natureza.

Esquilo no cume do Sentinel Dome

Nossa experiência com a fauna foi também muito interessante. Para a alegria dos fãs destes simpáticos e engraçados animais, os esquilos são facilmente encontrados por todo o Parque. Seja na parte selvagem, quanto no Yosemite Valley, eles estão em todos os lugares, sempre esperando uma chance de roubar um pedaço do seu lanche. Nos decks das lanchonetes na Curry Village encontramos alguns espécimes bem gordinhos, reflexo da fácil alimentação, rica em calorias, baseada nas sobras de lanches dos visitantes. Consegui distinguir duas espécies de esquilos: uma com coloração acinzentada e outra com tons mais próximos do marrom. Esta última, bem mais rara de ser visualizada, tem listras escuras exatamente como os famosos Tico e Teco.

Marmota no cume do Half Dome

Encontramos também outro roedor muito simpático, porém de hábitos mais reservados: as marmotas. Me lembro de, pelo menos, três encontros com elas. Primeiro, às margens do belíssimo Raisin Lake, na trilha entre May Lake e Glen Aulin. Depois, na mesma trilha, poucos quilômetros depois, entocada entre as pedras, bem em frente a um ponto onde paramos para descansar. O terceiro encontro foi o mais marcante. Encontramos uma, nada mais nada menos, do que no cume do Half Dome, esnobando todos os visitantes que chegam ao topo quase sem ar. Esta marmota, mais ousada do que as anteriores, conseguiu roubar a mochila de uma pessoa e fez a festa com o seu lanche. Alegria para todos os fotógrafos no local.

Corvo próximo ao Taft Point

Não sou grande entusiasta da observação de pássaros, por isso, provavelmente me passaram desapercebidas várias espécies destes animais. Mas pude reparar pelo menos nas duas mais comumente encontradas. Uma delas é um pássaro de cor predominantemente azul, com cabeça escura. Descobri mais tarde que se trata do Steller's Jay. É preciso ficar atento quando estão por perto ou vão roubar sua comida ou qualquer coisa que se pareça com comida. A outra espécie são os corvos. Adorei conhecê-los de perto. Com a fama de animais de mau agouro, se tornam extremamente engraçados com seus gritos extravagantes e desafinados.

Eu tinha a expectativa de encontrar alguma cascavel, devido aos relatos que li anteriormente. Não encontramos nenhuma, mas tivemos alguns encontros com outras espécies de serpentes durante a excursão. Todas eles próximas à lagos ou cursos d'água. O encontro mais interessante foi no Merced River, nas imediações do High Sierra Campground. Pouco antes de entrar no rio para tomar banho, me deparei com uma de aproximadamente 70 cm na margem. Tomamos banho e fomos nos secar sentados nas pedras. De repente, reparei que a cobra também havia resolvido tomar um banho de sol ao nosso lado. Porém, trouxe mais três amigas na sua companhia. Aparentemente havia alguma toca ali por perto. Ainda no Merced River, na altura do Little Yosemite Valley, tomávamos banho e observamos serpentes nadando próximas às marges e no meio do rio. Estas eram menores e aparentemente mais inofensivas, já que havia um pequeno garoto se divertindo nadando e agarrando-as para mostrar para seu pai.

Serpentes no Merced River

Fora a atenção com as cobras, no Yosemite é recomendável tomar outro cuidado ao lidar com as águas dos rios e lagos. O site do oficial do Parque recomenda que os visitantes se previnam contra a infecção por giárdia. Existem publicações classificando como exagerada a preocupação do Parque, mas preferimos não fazer a experiência e optamos por tomar as medidas preventivas adequadas. Uma informação importante é que estes protozoários possuem uma fase da vida em que se envolvem numa membrana protetora, chamada de cisto. Nesta fase, se tornam resistentes a algumas formas de prevenção, como a cloração. Por isso, optamos por utilizar um filtro portátil de 0,1 mícron, que elimina não só todos os protozoários da água como também grande parte das bactérias. Compramos na REI, da marca Sawyer e ficamos muito satisfeitos com a compra.

Lobo se alimentando na trilha para Glen Aulin

Falando de animais um pouco maiores, encontramos com bastante facilidade cervos na região de Tuolomne Meadows. Alguns à beira da estrada. Um grupo era frequentemente encontrado na pequena trilha entre nosso acampamento e o Tuolumne Meadows Grill. Em encontro muito legal foi com o lobo branco. Aconteceu na trilha que parte de May Lake, 3 Km antes de chegar em Glen Aulin. Paramos para descansar um pouco e localizamos o animal entre as árvores, a cerca de 30 metros de distância, se alimentando de alguma carcaça. Provavelmente se incomodou com nossa presença e deixou o local em seguida.

Ursos

Placa com advertência sobre ursos

Os habitantes mais famosos do Yosemite com certeza são os ursos. Além de animais belíssimos, são fortes, velozes, dotados de olfato poderosíssimo, são exímios nadadores e escaladores de árvores. Para nós, encontrar um destes animais dentro do Parque seria um grande privilégio. Sabíamos que muitas pessoas visitam o Parque sem ter a oportunidade de encontrar nenhum urso. Por outro lado, outras experimentam mais de um encontro na mesma temporada. Seria uma questão de sorte encontrá-los ou não. Ao mesmo tempo que a possibilidade de um encontro é fascinante, também é assustadora. Principalmente para nós, que estaríamos pela primeira vez convivendo no habitat desses animais. Existem algumas informações que o visitante precisa conhecer e algumas precauções a serem tomadas para realizar uma excursão em segurança.

Os procedimentos a serem adotados no caso de um encontro com um urso não são sempre os mesmos. Dentre os fatores que precisam ser observados no momento do encontro, está a espécie do urso. Isto obriga ao visitante de alguns parques americanos a saber como diferenciar as espécies, o que não é uma tarefa trivial quando se fala do urso pardo (Ursus arctos) e o preto (Ursus americanus). Felizmente, no caso particular do visitante do Yosemite, esta não é uma preocupação, pois apenas os ursos pretos (black bears) habitam aquela região.

Fora os procedimentos para o instante de um eventual encontro, o visitante também precisa conhecer e respeitar as normas e recomendações de conduta dentro do parque. Essas normas variam de parque para parque. Por isso, é fundamental estudar as recomendações específicas do parque que será visitado. Essas variações levam em conta a espécie de urso encontrado na região. Além disso, às vezes, para a mesma espécie de urso, diferenças comportamentais observadas em um parque específico fazem com que as normas sejam diferentes naquele local. O site oficial do Yosemite contém informações detalhadas sobre o assunto. Recomendo a leitura de todo o material disponível no site e em fontes complementares.

Bear canister

Os ursos pretos no Yosemite, de forma geral, parecem ser bem "sociáveis". Gosto de imaginá-los como ratos gigantes que querem muito a sua comida. Em lugares com muitas pessoas, e consequentemente com muito lixo e comida, eles estarão rondando. Eles são curiosos e espertos, querem aproveitar a chance de obter comida fácil. Mas não estão à espreita atrás de árvores esperando a primeira oportunidade de devorar um turista. É indispensável obedecer aos procedimentos de segurança e relaxar, assim como os outros três milhões de pessoas de todo o mundo que visitam o Yosemite anualmente. A maior causa de morte no Yosemite são os acidentes com automóveis, seguido pelos banhos nos rios, por conta da força correnteza em alguns pontos. Não existem relatos de mortes por ataque de nenhum mamífero.

A presença dos ursos leva a algumas complicações logísticas que devem ser consideradas no planejamento das excursões. Basicamente, sua comida jamais poderá ficar desassistida. Para ajudar nesta tarefa, duas ferramentas são de uso obrigatório: os bear lockers e os bear canisters. Os bear lockers são armários metálicos pesados de uso compartilhado, fortemente fixados ao solo e com travas projetadas especialmente para impedir que os ursos consigam abri-las. Em geral, o Parque dispõem os bear lockers próximos aos pontos de início das trilhas, nos estacionamentos e nos campsites. Ao planejar a logística, é importante conhecer em que pontos do roteiro serão encontrados bear lockers. Esse conhecimento é especialmente importante para planejar pontos de ressuprimento para trilhas muito longas. A comida jamais poderá ser deixada dentro de carros.

Já os bear canisters são latas metálicas, ou de material sintético super resistente, para acondicionamento de porções de comida individuais. Ao fazer trilhas selvagens no Yosemite, você é obrigado a possuir um bear canister. Eles podem ser alugados no próprio parque por US$ 5 por semana. Os alugados no parque são da marca Garcia Backpacker's Cache 812. Possuem 10 litros de volume e pesam 1,2 Kg. O bear canister comporta cinco dias de suprimentos, ou seis, com bastante esforço de compactação. Cabem deitados na parte inferior de uma cargueira ou na vertical na parte superior. O objetivo é armazenar a sua comida durante a noite em locais em que você não tem um bear locker disponível por perto. Você guarda tudo de comer (ou qualquer outro item que tenha cheiro) ali dentro e esconde o bear canister na mata, longe da sua barraca.

Urso na trilha para Glen Aulin

Tivemos três encontros com ursos durante a nossa excursão. O primeiro aconteceu na trilha entre May Lake e Glen Aulin. Estávamos caminhando quando percebemos o animal à esquerda da trilha, numa parte rochosa mais elevada, a cerca de 40 metros de distância. A parte mais assustadora foi ele ter nos visto antes. Estava lá curioso, nos observando imóvel, atento aos nossos movimentos. Mantivemos o passo e fomos nos afastando gradativamente até respirarmos aliviados. Meu amigo conseguiu uma foto, um pouco distante, mas ficamos muito felizes de ter esse registro.

Urso no North Pines
Vídeo: Felipe Vimeney

O segundo encontro aconteceu num final de tarde no acampamento North Pines, após nosso retorno da travessia a partir de Tuolumne. Desta vez o urso parecia bem mais confortável com a situação. Ele estava caminhando tranquilamente no meio da vegetação atrás do acampamento. Conseguimos observar que este possuía um colar de identificação. Provavelmente já andou frequentando a área em outras circunstância e agora está sob observação. Meu primo conseguiu registrar em vídeo sua passagem. O terceiro encontro aconteceu na trilha de Bridalveil Bridge para o McGurk Meadow. Este foi presenciado apenas por um amigo que resolveu visitar o meadow enquanto o resto do grupo ficou tomando banho no Bridalveil Creek.

Links úteis e referências:

Tratamento da água e giárdia:

Referência sobre as estatísticas de incidentes no Yosemite:

Condutas no Yosemite relacionadas à convivência com os ursos:

Sites interessantes descrevendo as características das diferentes espécies de ursos e contendo diversas informações sobre a convivência homem-urso e recomendações para encontros com esses animais:

Diferenças entre o urso preto e o urso pardo:

Aluguel de bear canisters no Yosemite:

Por: Ângelo Vimeney
Publicado em: 09/05/2016

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